Golaço em Trestles

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Gabriel Medina fatura o tri e Tati Weston-Webb é vice na Califórnia.

Sol, altas ondas, show de surf e os líderes do ranking garantindo seus títulos. O WSL Finals cumpriu o roteiro perfeito para a World Surf League com Gabriel Medina conquistando seu terceiro e Carissa Moore o quinto canecos do CT num dia de swell épico e ondas perfeitas em Trestles, Califórnia.

Novidades geralmente geram polêmica e com o novo formato do circuito mundial não foi diferente. Para nós espectadores é muito divertido de acompanhar, mas juntar os cinco primeiros do ranking para decisão do título em apenas um dia pode se tornar injusto para quem ficou na frente ao longo do ano. Graças à competência do brasileiro e da havaiana, o resultado final fechou com chave de ouro a nova proposta. Mas poderia ter sido diferente…

Gabriel Medina e Carissa Moore. Foto: Pat Nolan/ WSL

No masculino, abrimos as disputas com o australiano Morgan Cibilic e o americano Conner Coffin, dois surfistas que priorizam a linha e manobras na borda, condição favorável nas ondas de 4 a 6 pés que quebraram em Trestles. Morgan foi o estreante do ano e surfou muito em 2021, principalmente na perna australiana. Mas na grande final, Conner foi melhor e garantiu sua vaga para enfrentar o terceiro do ranking (e favorito ao título para muitos), Filipe Toledo.

Local do pico e um dos surfistas mais inovadores da atualidade, Filipinho começou a bateria aguardando pelas melhores séries, enquanto Coffin garantia boas notas. O americano bem que tentou jogar água no chopp brazuca, mas Toledo surfou apenas 2 ondas e foi suficiente para garantir sua vaga na próxima fase e consequentemente o título mundial para o Brasil, tendo em vista que o segundo do ranking era o potiguar Ítalo Ferreira e o líder, Gabriel Medina.

O nível do esporte está altíssimo e qualquer um dos tops pode vencer uma etapa, mas os três brasileiros ao lado de John John Florence, estão num patamar superior. Como (infelizmente) o havaiano vem lutando contra lesões, o ranking final do circuito 2021 refletiu os melhores da atualidade.

Filipe Toledo. Foto: Kenny Morris/ WSL

A bateria entre Filipe e Ítalo era uma das mais aguardadas do dia. Ambos possuem um vasto arsenal de manobras e dominam o chamado progressivo e inovador. Nos 35 minutos de disputa, melhor para Filipe que mostrou total conhecimento do pico surfando direitas incríveis e garantindo seu lugar na final contra o líder Medina. Apesar da derrota, o ano do campeão mundial de 2019 foi sensacional. Ítalo chegou firme e forte neste evento final e garantiu a primeira medalha de ouro do surf masculino nos jogos de Tóquio.

Já Gabriel não teve o resultado esperado nas Olimpíadas, mas chegou ao WSL Finals com quase 12 mil pontos de vantagem sobre o segundo do ranking, num ano maravilhoso e muito consistente onde fez 5 finais em 7 eventos. Mas, quem assistia as performances de Filipinho nas baterias anteriores, já contestava o favoritismo do até então bicampeão mundial e a melhor de 3 da finalíssima poderia tornar o resultado “injusto” para quem fez uma campanha tão avassaladora. Por outro lado, a trajetória de Toledo o credenciam a ser campeão mundial (merece muito!). Mesmo sem o caneco, já podemos considerar o brasileiro como um dos melhores de todos os tempos, dado o surf totalmente inovador que vem mostrando ao longo dos anos. Porém, infelizmente para ele e toda sua torcida não foi dessa vez e com performance que fez jus ao que mostrara durante todo o circuito. Com direito à backflip na segunda bateria, Medina venceu os dois primeiros confrontos e conquistou seu sonho de igualar-se à ídolos como Andy Irons, Tom Curren e Mick Fanning, sendo tricampeão mundial de surf.

Golaço do camisa 10 da nossa seleção. Foto: Pat Nolan/WSL

No feminino, toda torcida brasileira era para a gaúcha de Porto Alegre e criada no Havaí, Tatiana Weston-Webb. Na primeira bateria do evento, a francesa Johanne Defay desbancou o favoritismo da heptacampeã mundial Stephanie Gilmore da Austrália, mas perdeu na sequência para a também australiana, Sally Fitzgibbons, que foi para disputa com a brasileira. Numa bateria bem acirrada, Tati usou e abusou do seu excelente backside nas direitas de Trestles e garantiu sua vaga para a disputa com a líder Carissa Moore. A primeira bateria deu indícios que o dia seria todo verde e amarelo com Tatiana conseguindo a vitória e ficando a apenas uma bateria do título. Mas, nas baterias seguintes, a havaiana confirmou sua condição de líder e favorita, sagrando-se pentacampeã mundial.

Carissa Moore. Foto: Pat Nolan/WSL
Tatiana Weston-Webb. Foto: Tony Heff/WSL

Parabéns para Tatiana Weston-Webb, que iguala-se à Silvana Lima e Jaqueline Silva como brasileira vice-campeã do mundo.

2021 foi um ano desafiador para os atletas e WSL. As novidades propostas, novos locais de disputa e a pandemia aumentaram muito as dificuldades. Mas, ao final o resultado foi muito positivo e já estamos no aguardo do circuito de 2022 (com ainda mais novidades). Até lá, vamos curtindo o Challenge Series que começa no próximo dia 20 em Huntington Beach, Califórnia, no tradicionalíssimo US Open.

Aloha!

RIP CURL WSL FINALS – DECISÃO DOS TÍTULOS MUNDIAIS DE 2021:

DECISÃO DO TÍTULO MASCULINO:
Campeão: Gabriel Medina (BRA) com 17,53 pontos – notas 9,03+8,50
Vice-campeão: Filipe Toledo (BRA) com 16,36 pontos – notas 8,53+7,83
1.a decisão: Gabriel Medina (BRA) 16,30 x 15,70 Filipe Toledo (BRA)

3.a bateria: Filipe Toledo (BRA) 15,97 x 12,44 Italo Ferreira (BRA)
2.a bateria: Filipe Toledo (BRA) 16,57 x 14,33 Conner Coffin (EUA)
1.a bateria: Conner Coffin (EUA) 15,00 x 9,84 Morgan Cibilic (AUS)

DECISÃO DO TÍTULO FEMININO:
Campeã: Carissa Moore (HAV) por 16,60 pontos – notas 8,60+8,00
Vice-campeã: Tatiana Weston-Webb (BRA) com 14,20 pontos – 8,03+6,17
2.a decisão: Carissa Moore (HAV) 17,26 x 15,60 Tatiana Weston-Webb (BRA)
1.a decisão: Tatiana Weston-Webb (BRA) 15,20 x 14,06 Carissa Moore (HAV)

3.a bateria: Tatiana Weston-Webb (BRA) 13.17 x 11.73 Sally Fitzgibbons (AUS)
2.a bateria: Sally Fitzgibbons (AUS) 11.33 x 6.66 Johanne Defay (FRA)
1.a bateria: Johanne Defay (FRA) 12.17 x 6.70 Stephanie Gilmore (AUS)

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