CARAS “NOVAS” NO CT 2020

CARAS “NOVAS” NO CT 2020

Por Henrique Knevitz

Assim como em todos anos, o ranking do QS (Qualifying Series) classifica 10 surfistas para o CT (Championship Tour) do ano seguinte. É como se fosse uma “segunda divisão” do surf, pois assim como atletas sobem, os 10 últimos do ranking final caem fora do circuito e necessitam correr o QS novamente para buscar a reclassificação.
Listamos abaixo as caras novas (algumas nem tão novas assim) que farão parte da elite do surf neste ano.

WSL / Keoki Saguibo

1- Frederico Morais (Portugal)
Segundo suas próprias palavras, 2019 foi o melhor ano competitivo do português. Não sei se concordo, pois particularmente acho que suas performances no primeiro ano de CT foram impressionantes, principalmente em ondas que favorecem seu surf de linha como Bells (5 lugar) e J Bay (2 lugar). Mas em termos de QS, não é possível discordar, pois o luso venceu 3 eventos, sendo dois em sua terral natal (Pro Santa Cruz e Azores Airlines Pro) e o tradicional Hawaiian Pro de Haleiwa. Merecidíssimo o primeiro lugar do ranking.

WSL / Laurent Masurel

2- Jadson Andre (Brasil)
Jadson me faz lembrar a lenda Neco Padaratz. Performances irregulares no CT (mesmo tendo brilho como a vitória em Imbituba 2010 e o vice-campeonato na França em 2014) e grandes resultados no QS. Em 2019 teve um início de ano avassalador com o título do Hang Loose Pro de Noronha e dois segundos lugares em sequência na perna australiana. Jadson é um grande surfista que talvez seja subestimado no CT (mas isso é assunto para a próxima coluna…).

WSL / Damien Poullenot

3- Yago Dora (Brasil)
Alguns anos atrás, Yago chegou a ser considerado um dos melhores freesurfers do planeta. Quando resolveu focar nas competições, suas performances não chamaram tanto atenção de cara, mas vem crescendo ano a ano. Pode-se dizer que o brasileiro é um surfista completo, muito bom em tubos, manobras de borda e tem um arsenal de aéreos na manga. Teve grandes resultados esse ano, como o título do Vans US Open e o segundo lugar em Noronha. Ao final do ano, abriu mão de sua vaga pelo QS, pois classificou-se também pelo CT.

WSL / Thurtell

4- Matthew McGillivray (África do Sul)
Matthew participou de vários campeonatos do QS em 2019 e teve uma campanha bastante regular. Destaque para os quintos lugares no ABANCA Galícia Classic Surf Pro (Espanha) e no EDP Billabong Pro Ericeira (Portugal), além do terceiro lugar em Halleiwa na perna havaiana. É mais um nome da África do Sul que entra pro CT para fazer companhia ao até então solitário Jordy Smith.

WSL / Tony Heff

5- Jack Robinson (Austrália)
Talvez de todos classificados pelo ranking do QS, Jack Robinson seja aquele em quem a mídia internacional mais aposte suas fichas no CT. Excelente em ondas fortes, pesadas e tubulares, venceu dois eventos importantíssimos no circuito: Volcom Pipe Pro (Pipeline) e Vans World Cup Of Surfing (Sunset), ambos no Havaí. Ao final de dezembro estava de férias no Brasil e foi clicado pegando onda no ES. É verdade que sua namorada é brasileira, mas treinos em ondas de beach break talvez sejam importantes para aprimorar aquele que é o “ponto fraco” do seu surf, as manobras aéreas.

WSL / Damien Poullenot

6- Alex Ribeiro (Brasil)
Outro que volta ao CT, Alex teve um ótimo ano. Venceu o Burton Automotive Pro na Austrália e teve dois importantes terceiros lugares (Claro Open Pro – Peru e Vans US Open). Pelo que pudemos acompanhar através das transmissões dos eventos e suas redes sociais, Alex esteve muito focado em 2019 e mereceu estar de volta à elite do surf.

WSL / Damien Poullenot

7- Miguel Pupo (Brasil)
Dono de um dos estilos mais bonitos da atualidade, Miguel é um surfista que depositava enorme expectativa na torcida brasileira, mas que pecou um pouco pela irregularidade enquanto esteve no CT. Em 2019 fez uma perna européia sensacional, vencendo na Espanha (ABANCA Galícia Classic Surf Pro) e ficando com a terceira colocação em Portugal (Azores Airlines Pro). Aposto muito nesse volta dele ao CT, seria muito legal ver o Miguel vencer alguma (s) etapa (s) e figurar entre os primeiros do ranking em 2020.

WSL / Keoki Saguibo

8- Ethan Ewing (Austrália)
Ethan também volta ao CT. Em seu primeiro ano (2017), depositava-se grande expectativa no australiano, mas (talvez pela falta de experiência e idade) não teve a regularidade que garantisse sua permanência na elite. Tem muito potencial, surfa bem em diferentes condições e seu estilo lembra muito o eterno Andy Irons.

WSL / Damien Poullenot

9- Connor O’Leary (Austrália)
Outro que volta depois de um ano fora. Teve um início de ano muito bom, vencendo dois eventos da perna australiana (Carve Pro e Vissla Central Coast Pro). O restante da temporada foi regular e garantiu seu lugar no CT.

WSL / Laurent Masurel

10- Deivid Silva (Brasil)
O brasileiro “DVD” teve performances sólidas no CT, principalmente quando pode mostrar o seu ataque de backside. Até a última etapa, figurava entre os classificados pelo próprio CT, mas acabou ficando de fora e vai usar sua vaga no QS, conseguida com bons resultados, em especial sua vitória no evento prime de Ballito na África do Sul.

WSL / Damien Poullenot

11- Morgan Cibilic (Austrália)
Ao lado de Matthew McGillivray, é o único classificado que nunca esteve no CT (Matthew já competiu, mas como wildcard na etapa de Jbay em 2018). Herdou sua vaga graças ao resultado do brasileiro Yago Dora em Pipeline, que o classificou pelo próprio CT e abriu espaço para mais um posto no QS. Confesso que não acompanhei muito da carreira de Morgan até aqui. Por isso, deixo abaixo texto da própria WSL sobre o australiano.
“Silencioso, mas seguro de si, correu o QS em tempo integral no ano de 2018, terminando fora dos 100 primeiros. Por isso, sua qualificação no próximo ano foi a maior surpresa da temporada. Ele saltou 100 posições em 12 meses depois que uma perna européia sólida, que foi apoiada por algumas performances incríveis no Havaí. Como o último qualificado e o surfista menos conhecido no ranking, Cibillic entrará na temporada do CT 2020 com pouco a perder e muito a ganhar. Seus concorrentes farão bem em não subestimar o afável australiano.”

No próximo texto faremos um resumo da seleção brasileira do CT 2020.
Aloha!

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